Retrospectiva da Festa de São Pedro Pescador de Ubatuba 2022

A 99ª edição da Festa de São Pedro Pescador terminou na quarta-feira (29) e foi um sucesso. Foram seis dias de evento com uma programação diversificada, misturando cultura, fé e tradição.

Milhares de pessoas passaram pela Praça de Eventos na avenida Iperoig, onde foi montada toda a estrutura da festividade, com barracas de comidas típicas da época, pratos tradicionais da culinária caiçara, dois palcos, uma casinha caiçara e a singela capelinha, para onde seguiu a procissão do mastro no primeiro dia e onde a imagem do santo padroeiro dos pescadores permaneceu até o último dia.

O diretor-presidente da Fundart, Thiago Gigliotti, comemorou o sucesso da festa e falou sobre a preservação da cultura por meio da iniciativa. “Temos que, cada vez mais, valorizar nossos povos e comunidades tradicionais. Elas são nossa riqueza cultural e são elas que têm o convívio harmonioso com a natureza, que é o que precisamos resgatar. Resgatar essa cultura, essas tradições e ensinar a criançada de onde eles vêm e o valor dessa identidade é de extrema importância em todos os sentidos”, frisou.

A prefeita Flavia Pascoal também celebrou a retomada do evento após a pandemia. “A 99ª edição da nossa Festa de São Pedro Pescador foi muito emocionante e especial. Afinal, depois de anos de pandemia, sem podermos realizar as festividades, nesses dias tivemos a honra de ver diversas demonstrações da cultura viva da nossa população. Gratidão a todos que colaboraram e participaram dessa grande festividade do nosso povo caiçara.

Tradição da festa

Após a procissão do mastro, o primeiro dia foi marcado pelo concurso da Rainha dos Pescadores, animando os presentes, que vibraram, inclusive, com torcida organizada pela candidata preferida. Ao todo, 15 belas jovens de Ubatuba, com faixa etária entre 16 e 29 anos, participaram da disputa pela coroa. Maria Cecilia Ferreira Ramos foi eleita a Rainha dos Pescadores 2022; o título de primeira princesa foi para a jovem Vanessa Sena dos Santos e de segunda princesa para Vitoria Alicia Nobre de Mendonça.
No segundo dia, aconteceu o Leilão de Remos – elaborados por artistas do Setorial de Artes Visuais da Fundação de Arte e Cultura de Ubatuba – Fundart. Ao todo, foram 10 remos que despertaram o instinto competitivo no público presente, que ousaram nos lances para garantir a aquisição.

Programação cultural

As apresentações culturais aconteceram no espaço denominado Vila Caiçara, que reproduzia uma atmosfera típica da comunidade. Além de palco, os presentes puderam saborear o tradicional café caiçara com melado e a paçoca feita em pilão de madeira – ambos feitos na hora. “Uma das vertentes mais importantes na nossa gestão é o Turismo de Base Comunitária”, destacou o secretário de Turismo, Alessandro Luís Morau.

A atração que estreou o local foi o Maracatu Itaomi, que se apresentou no início da tarde de sábado (25), seguido pelos conjuntos Grupo Ô de Casa (Quilombo da Fazenda) e Concertada.

O domingo amanheceu com a corrida de Canoas Caiçaras; à tarde, a Vila Caiçara se tornou um verdadeiro baile de Fandango, com animação por conta dos grupos Fandango Bacurau, Fandango Mestre Pedrinho e Fandango Ciranda Caiçara. O Coral Indígena Xondáro Mirim Mborai (Aldeia Boa Vista) finalizou a programação cultural do dia, entoando cânticos sagrados do cotidiano que falam sobre a natureza, sobre as divindades e sobre o conceito Guarani de busca pela terra sem males.

A semana começou com a exibição do Grupo Sementes do Prumirim, seguido pela apresentação de Dança da Fita do Itaguá. Já no último dia, quarta-feira (29), a Congada de Bastões de São Benedito fechou com chave de ouro a programação da Vila Caiçara.

Atrações musicais

Muitas foram as atrações que se apresentaram no palco principal desta edição e boa parte delas consideradas “pratas da casa”. A participação desses grupos foi definida por meio de edital de inscrição e seleção a interessados, promovido pela Fundart, para democratizar o acesso e garantir a diversidade na programação, buscando eleger representantes de vários gêneros e movimentos musicais, levando em conta a qualidade artística e técnica nas músicas apresentadas, entre outros itens.

O palco principal recebeu o Grupo Sons da Lira , o Grupo de Choro “Cinema Mudo” e o grupo Enkontrio no primeiro dia de festa. Já no sábado (25), quem fez o povo sair do chão foi a Banda Kauze e a dupla Nako e Rafael – trazendo o rock e o sertanejo no mesmo dia. Nem o frio espantou o público no domingo (26), que teve uma mistura de hip-hop, samba e forró, com as bandas Salve 012, Luara e as Comadres e a atração reconhecida nacionalmente: Miltinho Edilberto, que fechou a noite.

Para levantar o astral no começo da semana, o palco foi ocupado pela cantora Janayna Morais e pela banda Praieira – ambos fizeram o povo dançar e se aquecer em meio ao friozinho.

A terça-feira (28), foi considerada o dia mais esperado pelo público, que compareceu em peso para ver a banda Planta e Raiz. O show foi aberto pelas atrações Grupo Cantamar e Leandro Araújo e Banda, que garantiram a diversão na véspera do feriado.

Para encerrar com chave de ouro, a quarta-feira teve no palco principal a atração Caiçaras Band, que se apresentou antes da banda Peixe Elétrico – trilha sonora dos bailarinos oficiais de forró, que dominaram a praça de eventos.

Sustentabilidade

Outra grande conquista da 99ª edição da Festa foi a sustentabilidade. Uma parceria com a boomerang reciclagem permitiu que a coleta dos postos de reciclagem fosse feita constantemente, além dos profissionais autônomos que também colaboraram com essa coleta durante o evento. Além disso, o objetivo da Fundart é incentivar a redução do consumo de plástico, como explicou Gigliotti.

“Pela primeira vez, a gente fez a festa ‘plástico zero’. Infelizmente, algumas barracas não conseguiram atender a essa demanda, porém, a gente veio com essa proposta: da não-utilização do plástico nos eventos da Fundart. Não é só reciclar: é parar de produzir e de consumir o plástico”, afirmou.

Turismo

Quem conhece a tradição da festa aguarda o ano inteiro para poder comparecer à iniciativa. Além de atrair diversos turistas, em um período considerado baixa temporada, o evento movimenta o chamado “turismo interno”, como destacou Morau.

“A gente vê como muito importante esse tipo de festa que promove a cultura e as tradições da cidade. Enxergamos a importância dos turistas, que vêm de fora, e também levamos em conta o fato de várias pessoas da própria cidade se deslocam para essa festa. A grande maioria que participou da programação em dias de semana é daqui. Esse turismo interno para nós também é essencial”, disse.

Visando o centenário

Em 2023, a festa comemora 100 anos de existência e a Fundar já está se preparando para a ocasião. “Cem anos: precisamos realizar algo grandioso, não só pelo que a festa representa e pela cultura, mas porque a nossa cidade merece um evento de grande porte, que seja um marco para cada vez mais a gente ter esse tipo de evento, que leva não só a cultura e o entretenimento, mas, também esse tipo de pauta, que é a sustentabilidade, que a gente trouxe este ano”, finalizou.

Fonte: Secretaria de Comunicação Social
Prefeitura de Ubatuba