Porque fechou o Hospital de Campanha de Ubatuba? Hoje temos 1151 novos casos em 23 dias

O Hospital de Campanha fechou precocemente?

Ubatuba já teve Hospital de Campanha que funcionou algum tempo no ano passado, propiciando atendimento de pacientes com sintomas respiratórios de baixa e média complexidade, funcionando como retaguarda clínica para a Santa Casa. Sem alarde o Hospital de Campanha encerrou suas atividades, mas deixou uma lacuna no quesito transparência, que poderia ser preenchido com as devidas respostas para esses questionamentos:

Quantos pacientes foram atendidos? Qual o destino dado aos equipamentos após seu fechamento? Quanto de recursos federais foram aplicados no HC? Como se deu o remanejamento de pessoal? Balanço geral do período de funcionamento do HC.

Fazemos este questionamento de olho no atual cenário da pandemia de covid-19 no município, deixando para quem interessar a interrogação: o Hospital de Campanha não teve mais utilidade para a população? Não houve interesse em viabilizar a renovação do convênio com o Ministério da Saúde? Porque fechou?

Momento atual da pandemia em Ubatuba

Fizemos levantamento dos últimos 23 dias do cenário da pandemia do covid-19 em Ubatuba, que apresenta 5065 casos positivados e que foram recuperados, o que é uma marca significativa. Por outro lado, foram 1151 novos casos positivados acumulados em 23 dias com o registro de 14 novos óbitos no período de 29 de janeiro a 21 de fevereiro, conforme nossos seguidores podem comprovar por meio dos boletins das extremidades do período. Foram 2069 novas notificações.

Como e porque foram instalados hospitais de campanha

O Ministério da Saúde definiu os critérios técnicos para a implantação de unidades de saúde temporária para assistência hospitalar, os hospitais de campanha, para atendimento aos pacientes com covid-19. A Portaria nº 1.514/2020 foi publicada ontem (16) No Diário Oficial da União.

De acordo com o documento, as unidades devem funcionar com o acesso regulado, voltadas para a internação de pacientes com sintomas respiratórios de baixa e média complexidade, podendo funcionar como retaguarda clínica para hospitais permanentes que tenham unidade de terapia intensiva (UTI) e sejam definidas como referência para tratamento de covid-19.

A implantação dos hospitais de campanha será de responsabilidade dos estados, Distrito Federal e municípios. A construção das unidades deve ser uma das estratégias de ampliação e organização da oferta de leitos e deverá fazer parte dos planos de contingência elaborados pelos gestores locais.

De acordo com as orientações, as unidades temporárias devem ser implantadas em anexo a unidades de saúde hospitalares, se utilizar de equipamentos urbanos, como estádios de futebol ou centros de convenções, por exemplo, ou de qualquer estrutura existente que o comporte, readequado para o atendimento aos pacientes.

Os hospitais de campanha podem ser estruturados de duas formas: como uma unidade de internação clínica, para pacientes com sintomas respiratórios de baixa complexidade, e como unidade de suporte ventilatório pulmonar, para tratamento dos casos em que o paciente apresente piora do quadro respiratório, necessitando de suporte não invasivo e invasivo.

A portaria orienta ainda que deve ser utilizada a proporção de dez leitos de suporte ventilatório pulmonar para cada 40 leitos de internação clínica. Entretanto, o número de leitos de cada hospital temporário poderá variar de acordo com o seu tamanho e os critérios epidemiológicos.

De acordo com o Ministério da Saúde, os leitos de suporte ventilatório pulmonar terão habilitação temporária por 30 dias, e o governo pagará, a título de custeio, uma diária de R$ 467,06, em parcela única.

Antes de optar pelo hospital de campanha, os gestores de saúde locais devem priorizar a estruturação e ampliação de leitos clínicos e de UTI em unidades hospitalares permanentes. Além disso, devem dedicar uma unidade hospitalar existente na rede para atendimento exclusivo de casos de covid-19 e analisar a contratação de leitos na rede privada.