Guaratinguetá se prepara para o Carnaval de Avenida, sob saraivada de críticas

A posição da gestão de Guaratinguetá em realizar o evento Carnaval em 2022, vem despertando polêmica na cidade que durante anos ostentou a fama de promover o melhor Desfile de Escolas de Samba do Vale do Paraíba, ombreando-se aos mais concorridos e brilhantes carnavais do interior. Ao menos durante 25 anos Guaratinguetá foi reconhecida como sede do melhor Carnaval do interior do Estado. Várias gestões municipais chegaram a cogitar em construir um “sambódromo”. O bom senso prevaleceu e os desfiles embora decadentes foram mantidos na Avenida Presidente Vargas.

O Jornal Atos publica uma reportagem à respeito do tema, que agora também vem recebendo as opiniões dos vereadores, que como porta vozes dos moradores, se expressam na Tribuna refletindo o calor dos debates que tomam as ruas da cidade. Reproduzimos a matéria do jornal, para que o nosso leitor possa melhor entender, se Guaratinguetá deve manter ou não a decisão de realizar seu Carnaval de avenida. 

Diversas cidades da RMVale (Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte) e as principais praças carnavalescas do Sul de Minas cancelaram o Carnaval de 2022. Em Guaratinguetá, a Prefeitura mantém a festa confirmada, mas já há uma movimentação de vereadores questionando o planejamento com o avanço de casos pelo mundo e a disseminação da nova variante da Covid-19, a ‘Ômicron’. Na Câmara, Fabrício Dias (MDB) se posicionou contra o festejo e deu publicidade à uma nota do diretório municipal do partido. Dani Dias (PSC) pediu que o comitê sanitário municipal de crise da Covid-19 emita um parecer técnico sobre os riscos do evento.

O requerimento de Dani abriu portas para uma longa discussão no plenário. A vereadora pediu que o comitê municipal emita um parecer técnico, com base nos médicos e infectologistas que compõem o grupo, sobre os riscos de disseminação da doença no Carnaval da cidade.
“Eu, como vereadora, fui muito cobrada tanto na internet quanto na rua, com relação a isso, senti falta de pareceres e posicionamentos mais técnicos de pessoas que entendem da área, são do setor da saúde, médicos, infectologistas por exemplo. Na pandemia, nós tínhamos o comitê de enfrentamento à Covid-19, que era muito atuante, há um ano e meio, e orientou o prefeito Marcus Soliva a tomar decisões importantes, sendo uma delas referente ao uso obrigatório da máscara antecipado”, detalhou Dani.

Na mesma semana o diretório municipal do MDB se posicionou contra o Carnaval de 2022. “Nesse momento, deixamos bem claro no nosso posicionamento acatando o interesse da maioria da população que tem se manifestado e dos riscos que entendemos, em função de toda essa problemática que temos assistido em outros países, dessa quarta onda que tem acontecido e da nova variante Ômicron”, afirmou. “Não somos contra o Carnaval. Reconhecemos e gostamos do Carnaval, uma das principais manifestações culturais do nosso município. Entretanto, vemos com preocupação tudo aquilo que pode acontecer”, citou Fabrício Dias.

O vereador citou ainda outros eventos que podem gerar aglomerações e causar problemas futuros. “A gente solicita ao prefeito que repense a realização do carnaval, mais em uma condição de prudência”, concluiu. Diferente de Fabrício, Dani não pediu o cancelamento da festa, mas a atuação do comitê para analisar os riscos reais de uma nova onda de casos de Covid-19 e se seria prudente cancelar o Carnaval ou mantê-lo confirmado.

Após o apontamento, o evento continua confirmado no cronograma do governo de Marcus Soliva (PSC) para 2022.

Nova variante – Do lado de fora dos gabinetes e das praças carnavalescas, o Estado e o Governo Federal se atentaram aos riscos de uma nova variante detectada em países africanos e que desperta alerta na Europa. A ‘Ômicron’ representa “risco global” de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Três casos foram confirmados no Brasil, todos eles em pessoas que desembarcaram em São Paulo.

A lista de cidades do Vale do Paraíba e Litoral Norte que já cancelaram o Carnaval de 2022 fica maior a cada dia. As principais praças festivas como São Luiz do Paraitinga, Cunha e Ubatuba, não realizarão o evento. Na última semana, São José dos Campos confirmou o cancelamento e acompanhou as vizinhas Jacareí e Taubaté, três maiores municípios da região. Potim também oficializou o cancelamento, assim como Roseira e Lorena, que voltou atrás após confirmar a festa.

Há indefinições sobre a realização da festa nas cidades de Cachoeira Paulista e Cruzeiro, que ainda não se posicionaram sobre o evento. Piquete vai definir se realiza ou não o Carnaval apenas em janeiro.

Mesma situação de Pindamonhangaba, que aguarda as festas de fim de ano e a nova realidade da variante Ômicron para definir o futuro do festejo, segundo entrevista concedida pelo prefeito Isael Domingues (PL) ao programa Atos no Rádio na sexta-feira (3).