Bolsonaro rebate acusações e diz que Moro exigiu indicação ao STF

Ministro se demitiu na sexta

Presidente fez pronunciamento

Negou que quisesse dados da PF

O presidente Jair Bolsonaro afirmou na tarde de 6ª feira (24.abr.2020) que o agora ex-ministro Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) concordou por “mais de uma vez” com a demissão do ex-diretor-geral da Polícia Federal Maurício Valeixo. A condição era que a saída fosse a partir de novembro, e somente se Bolsonaro o indicasse para o STF (Supremo Tribunal Federal).

“Me desculpe, mas não é por aí”, disse.

Bolsonaro rechaçou acusações de Moro e afirmou que nunca interferiu em qualquer investigação da PF, mas disse que procurou saber, “quase implorando”, sobre casos como o da facada que sofreu durante a campanha eleitoral de 2018.

“Não são verdadeiras as insinuações de que eu desejaria saber sobre investigações em andamento”, declarou.

Segundo o presidente, o caso da facada seria de mais fácil “solução” do que os assassinatos da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e do motorista Anderson Gomes, ocorridos no dia 14 de março de 2018 –até hoje sem resposta.

Bolsonaro também afirmou que procurou saber numa outra oportunidade sobre o suposto envolvimento amoroso de seu filho 04, Jair Renan, com a filha de 1 acusado de integrar a milícia do Rio. Morador do mesmo condomínio que o presidente, o suposto miliciano é suspeito de participação no assassinato da psolista.

“A intenção de dizer que meu filho namorava a filha do ex-sargento era que nós tínhamos 1 relacionamento. Eu não me lembro dele. Pode ser até que eu tenha tirado foto com ele. Durante a pré-campanha é comum eu tirar 500 fotos por dia.”

Ele acrescentou que, por isso, fez “1 pedido à PF, quase como por favor”:

“Chegue a Mossoró e interrogue o ex-sargento. Foram lá, a PF fez o seu trabalho, interrogou e está comigo a cópia do interrogatório, onde ele diz simplesmente o seguinte: a minha filha nunca namorou o filho do presidente Jair Bolsonaro, porque a minha filha sempre morou nos Estados Unidos.”

O presidente afirmou que Moro “não se dignou” a procurá-lo e preferiu convocar 1 pronunciamento no Ministério da Justiça e Segurança Pública para anunciar sua saída do governo.

“Uma coisa é você admirar uma pessoa, a outra é conviver com ela, trabalhar com ela.”

Em tom messiânico, Bolsonaro relatou ter dito a deputados com os quais se encontrou na manhã desta 6ª feira (24.abr) que hoje eles conheceriam, às 11h, “aquela pessoa que tem compromisso consigo próprio, com seu ego, e não com o Brasil”.

Moro deixou o governo reclamando de tentativa de interferência do presidente na Polícia Federal, o que teria também contrariado a promessa de “carta branca” que feita no momento em que Bolsonaro chamou o então juiz da Lava Jato para integrar sua equipe.

O presidente afirmou, em seu pronunciamento, que deu “autonomia” a todos, mas que isso é diferente de “soberania“. “A todos os ministros, e a ele também, falei do meu poder de veto. Os cargos-chaves teriam que passar pelas minhas mãos e eu daria o sinal verde ou não.”

Ele acrescentou que, em “mais de 90% desses cargos” que passaram por suas mãos, deu “sinal verde”. “Assim foi com o senhor Valeixo, até ontem, diretor-geral da nossa honrada e gloriosa Polícia Federal.”

Bolsonaro não comentou inquéritos no STF (Supremo Tribunal Federal) citados por Moro. O ex-ministro mencionou apurações de interesse do presidente. Há pelo menos 2 inquéritos que se enquadram nessa descrição atualmente no Supremo: 1 sobre fake news e outro sobre a organização dos atos que tinham, entre outras pautas, o restabelecimento do AI-5 (Ato Institucional 5), o mais repressivo da ditadura.

Integrantes do próprio Palácio do Planalto afirmam que essas apurações devem “atingir em cheio” alguns bolsonaristas. Entre eles, estariam deputados federais.

O presidente também não falou nada sobre a pandemia da covid-19 (doença causada pelo novo coronavírus), que provocou uma crise em seu governo e foi pano de fundo para a demissão do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta.

Durante o pronunciamento, o presidente esteve ao lado do vice-presidente Hamilton Mourão e rodeado por todos os ministros de seu governo –exceto Ricardo Salles (Meio Ambiente), que está em viagem oficial. Também estavam no discurso os deputados federais Helio Lopes (PSL-RJ), Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Carla Zambelli (PSL-SP).

Eis a lista de quem acompanhou Bolsonaro:

Abraham Weintraub (Educação)
Tereza Cristina (Agricultura, Pecuária e Abastecimento)
Braga Netto (Casa Civil)
Hamilton Mourão (Vice-Presidente da República)
Fernando Azevedo (Defesa)
Paulo Guedes (Economia)
Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional)
Wagner Rosário (Controladoria Geral da União)
Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo)
Jorge de Oliveira (Secretaria-Geral)
Ernesto Araújo (Relações Exteriores)
Onyx Lorenzoni (Cidadania)
André Mendonça (Advocacia Geral da União)
Marcos Pontes (Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações)
Roberto Campos Neto (Banco Central)
Bento Albuquerque (Minas e Energia)
Tarcísio de Freitas (Infraestutura)
Nelson Teich (Saúde)
Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos)
Helio Lopes (PSL-RJ)
Eduardo Bolsonaro (PSL-SP)
Carla Zambelli (PSL-SP)

Com informações do Poder 360